terça-feira, 7 de janeiro de 2014
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
O campeonato que não acabou...
Flamengo, Portuguesa ou Fluminense ? Quem cai, na gangorra
do Brasileirão (sem fim) ? A discussão ganhou ares empedernidos, nas últimas
semanas. A bola já parou. O Cruzeiro até recebeu a faixa de campeão. Mas, os
juízes, agora de toga, continuam tocando seus apitos.
O fantasma da virada de mesa, que parecia sepultado do
vocabulário da crônica esportiva, voltou com força total. Argumentos de ambos os
lados invocam um sem número de teses. Sob o calor das paixões, o futebol
brasileiro retorna ao divã dos analistas de ocasião.
E onde (ou com quem) estará a razão ? O debate está longe de
ser simples. Sobretudo porque, não se trata apenas dos aspectos jurídicos em
jogo. O jogo jogado deve ter peso importante na formação da convicção dos
leigos, mas também dos doutores, que tomarão posição no pleito.
Filigranas legais a parte, existe um resultado conseguido
dentro do campo. A escalação dos atletas supostamente irregulares não modificou
substantivamente as posições na tabela dos clubes envolvidos no imbróglio. O
Fluminense foi menos competente que seus adversários.
Nos 38 jogos que fez, o clube das Laranjeiras disputou 114
pontos possíveis e obteve 46 (míseros 40,35%). Chegou à última rodada dependendo do resultado
de terceiros. Nenhum deles Portuguesa ou Flamengo, cujos resultados não
modificariam em nada a sorte do Tricolor.
É certo ponderar que outros clubes que tiveram atletas
suspensos de partidas acumularam algum prejuízo técnico, por não poder contar
com sua força total nas disputas. Mas, a Portuguesa escalou um jogador faltando
quinze minutos para o final da sua última partida.
E o Flamengo fez um jogo de entrega de faixas ! Não houve
sequer concentração. Os atletas mal treinaram durante a semana anterior. Que
intenção haveria em escalar um jogador irregular em uma partida que todos encaravam
como mero cumprimento de tabela (que de tão evidente, teve, inclusive
autorizada a antecipação do jogo para o sábado) ?
O sistema de controle da CBF é pífio. A legislação
desportiva caótica. As penalidades estabelecidas pelos tribunais de esporte,
risíveis. E, agora, invoca-se a legalidade ? Existe uma frase célebre no
futebol que diz: “a bola pune” ! E puniu, de fato, mas puniu quem não teve competência com a bola rolando.
O campeonato já acabou. A relva verde ditou as verdadeiras
sentenças. O Fluminense, talvez, não tenha mesmo nada a ver com o que está
acontecendo nos bastidores. Mas, não deixa de ser feio, muito feio, se deixar
levar, convenientemente, pela oportunidade que se abre nas minúcias, nas fronteiras, nos detalhes...
Ah, os detalhes... todos bem sabemos quem reside nos detalhes !
É duro admitir, mas os expedientes da chamada legalidade afrontam
a moral e os bons costumes: “eu não tenho nada a ver com isso, lei é lei”. Lamentavelmente,
nestes dois casos em tela, a regra não é tão clara, como apregoa o infame
bordão, de um dos idiotas de plantão, da Vênus Platinada.
O tribunal irá decidir o que o destino já selou. E qualquer que seja o resultado a ser apregoado pelos doutores da lei, o mais certo é que futebol brasileiro sairá perdendo. E perderá muito mais caso a justiça seja solapada pela vaidade, pela prepotência e pela ambição desmedida das partes interessadas.
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
Ode a Jayme
A conquista da Copa do Brasil, pelo Flamengo, ressuscita um
debate mais antigo do que o Fla x Flu (aquele mesmo, que nasceu antes do nada):
técnico ganha jogo ? A resposta esta longe de ser definitiva, mas a figura do
estiloso e low profile Jayme de
Almeida põe uma pá de cal, nos brios dos “phhhhhofexores”, zelosos de seus
ternos bem cortados e vocabulário chulo.
O comandante rubro-negro, sem estardalhaço, fez o milagre de
transformar um bando de jogadores, em uma equipe de atletas, bem treinados e
comprometidos com um resultado. O elenco do Flamengo, tão contestado ao longo
da temporada, revelou um equilíbrio invejável. Tendo como maior estrela a
torcida, que joga junto e empurra o time onde quer que este for, Jayme fez o
básico: escalou os onze possíveis e ofereceu-lhes uma proposta de jogo aceitável.
Com a fala mansa, olhar atento e jeito doce, o mister logo percebeu que não havia o que
inventar. Tendo em mãos uma formação aquém das tradições da Gávea, deu-lhe, ao
menos, um verniz digno das raízes vermelho e preta. Incutiu-lhes uma
mentalidade vencedora. Podou egos. Repreendeu distrações. Mobilizou esforços e
formou um conjunto harmônico, que manteve a tranquilidade e o foco, mesmo nos
momentos de adversidade.
O Flamengo que ganhou a Copa não é o Flamengo que o torcedor
se acostumou a enaltecer, ao longo de sua história de conquistas e glórias. É
um time sem destaques. Aquele que deveria ter sido o craque da companhia foi um
desastre ao longo da temporada. O que fora menosprezado tornou-se o artilheiro
improvável. E de Cadu a Brocador, salvaram-se todos de um naufrágio
anunciado. O rubro negro terminou
o ano redimindo o novo modelo de gestão do mais querido do Brasil, em meio a
mística de que não se pode deixar chegar.
Agora, Jayme merece a oportunidade de ficar por uma temporada
mais longa. Se os dirigentes tiverem um mínimo de juízo (e o propalado
profissionalismo, tão defendido durante a campanha de Wallim/Bandeira de Mello)
deveriam assegurar um horizonte estável para o treinador, cria da casa e com um
perfil singular, no atual mercado. Mantê-lo significa tornar realista a meta de
fazer do rubro negro uma potência, pautando-se pela regra mais elementar do
esporte: administrar com a razão, explorando aquilo que de melhor a emoção puder
gerar.
Jayme é o cara ! Tem competência e carisma para conduzir o
clube a voos muito mais altos. Com alguns reforços, tempo para trabalhar e a
garantia de continuidade, o treinador campeão pode responder dentro do campo à azeitada engenharia administrativa que está sendo construída fora dele:
diminuição do endividamento, ampliação do volume de receitas, maior e melhor
visibilidade, criação de novas fontes de recursos, apoio estruturado da
torcida, através do programa sócio torcedor, instalações modernas e rentáveis,
para o mando dos jogos, dentre outras revoluções implementadas pelos novos
quadros, recém empossados.
O que não pode haver é hipocrisia. Tratar o Jayme como se
fez com o igualmente campeão Andrade, dispensado ao primeiro sinal de fogo
“amigo”. Ou, pior ainda, resgatar os medalhões. Fazer girar a ciranda dos
mesmos e carcomidos treinadores de futebol, com muitas pompas e longínquos
títulos. Mano saiu alegando-se incompreendido. Ocupou seu lugar um auxiliar que
resolveu a parada de forma irretocável. Demonstrou ser da boa cepa dos que
falam a língua da bola, sem os estrelismos e modismos que tanto emporcalham o
futebol atual. Jayme de Almeida tem a virtude dos bons: é simples, intenso e preciso.
Merece, mais do que ninguém, a Taça que seu capitão (e seus comandados) levantou
com tanta dificuldade.
Ao Jaime, as glórias...

Foto: FuturaPress
A conquista da Copa do Brasil, pelo Flamengo, ressuscita um
debate mais antigo do que o Fla x Flu (aquele mesmo, “que nasceu antes do nada”):
técnico ganha jogo ? A resposta esta longe de ser definitiva, mas a figura do
estiloso e low profile Jaime de
Almeida põe uma pá de cal, nos brios dos “phhhhhofessores”, zelosos de seus
ternos bem cortados e vocabulário chulo.
O comandante rubro-negro, sem estardalhaço, fez o milagre de
transformar um bando de jogadores, em uma equipe de atletas, bem treinados e
comprometidos com um resultado. O elenco do Flamengo, tão contestado ao longo
da temporada, revelou um equilíbrio invejável. Tendo como maior estrela a
torcida, que joga junto e empurra o time onde quer que este vá, Jaime fez o
básico: escalou os onze possíveis e ofereceu-lhes uma proposta de jogo aceitável.
Com a fala mansa, olhar atento e jeito doce, o mister logo percebeu que não havia o que
inventar. Tendo em mãos um grupo tão aquém das tradições da Gávea, deu-lhe, ao
menos, um sentido de pertencimento às raízes preto e vermelha. Incutiu-lhes uma
mentalidade vencedora. Podou egos. Repreendeu distrações. Mobilizou esforços e
formou um conjunto harmônico, que manteve a tranquilidade e o foco, mesmo nos
momentos de adversidade.
O Flamengo que ganhou a Copa não é o Flamengo que o torcedor
se acostumou a enaltecer, ao longo de sua história de glórias e conquistas. É
um time sem destaques. Aquele que deveria ter sido o craque da companhia foi um
desastre ao longo da temporada. O que fora menosprezado tornou-se o artilheiro
improvável. E de Cadu a Brocador, salvaram-se todos de um naufrágio
anunciado. O rubro negro terminou o ano
redimindo o novo modelo de gestão do mais querido do Brasil, em meio a mística
de que não se pode deixar chegar.
Agora, Jaime merece a oportunidade de ficar por uma longa
temporada. Se os dirigentes tiverem um mínimo de juízo (ou o propalado
profissionalismo, tão defendido durante a campanha de Wallim/Bandeira de Mello)
deveriam assegurar um horizonte contínuo para o treinador, cria da casa e com
um perfil singular, no atual mercado. Mantê-lo significa tornar realista a meta
de fazer do rubro negro potência, instituindo a regra mais elementar do
esporte: administrar com a razão, explorando o que de melhor a emoção puder
proporcionar.
Jaime é o cara ! Tem competência e carisma para conduzir o
clube a voos muito mais altos. Com alguns reforços, tempo para trabalhar e a
garantia de continuidade, o treinador campeão poderá fazer do aprazível balneário
carioca a sua Europa United, a la Sir Ferguson.
sábado, 21 de setembro de 2013
O Mano nunca foi brother…
O abandono de emprego do, agora, ex-técnico do Flamengo
pegou de surpresa clube, imprensa e torcedores. É certo que, há tempos, as
coisas já não vinham dando muito certo pelas bandas da Gávea. O treinador evitou
demonstrar que tomaria atitude tão drástica, mas o clima no clube passava longe
da leveza.
Com o discurso do profissionalismo ensaiado, a nova gestão
assumiu prometendo uma revolução. Sinalizando austeridade, reformulou a folha
de pagamentos da equipe, enxugando despesas e podando os excessos. Na
reengenharia projetada pelos cartolas da vitoriosa chapa azul, não havia mais
espaço para loucuras.
O primeiro a sentir o corte afiado da navalha foi o
artilheiro do time. Sem lugar para sentimentalismos, Vagner foi despachado de
volta para a fria Moscou. Destino parecido tiveram outros medalhões. Ao mesmo
tempo que reduzia gastos, a cúpula do “Mais Querido do Brasil” investia fortemente
no saneamento das dívidas e na atração de novas receitas, para turbinar o
futuro rubro-negro.
O difícil equilíbrio entre razão e emoção, no entanto,
evidenciava-se em pequenos detalhes. Zinho foi rebaixado de função e pediu o
boné. Em seu lugar, um manager de velhos hábitos e boas relações com os
vetustos bastidores da bola ganhou carta branca. Trouxe com ele os ares, amigos
e manias dos pampas.
Na sua primeira bola dividida, resgatou um velho axioma do
futebol: menos é mais. E entre a manutenção de um técnico caro e eficiente, mas
sem identificação com o clube, a opção pela fórmula caseira do bom e barato,
fazendo o “filho” à casa retornar. Jorginho foi um desastre e as sirenes da
boca maldita começaram a tocar. O prometido choque de gestão colocara o
presidente Eduardo Bandeira de Mello na marca do cal. E ele desperdiçou um
pênalti importantíssimo.
A manutenção de Jorginho, com todos os seus percalços e
instabilidade tinha mais chances de prosperar, do que a virada de mesa
repentina que reacendeu os temores e o fantasma da lógica transversa e
oportunista dos velhos e nada saudosos dirigentes torcedores: ganhou fica,
perdeu sai.
Sob o clamor da seriedade, respeito à hierarquia e
comprometimento, Renato Abreu foi outro que dançou. A faxina silenciosa gerou
instabilidade no elenco. No saneamento a toque de quartel, o banimento de
antigos ídolos das dependências do clube evidenciou-se como outro gesto tresloucado
de um grupo bem intencionado, mas com a típica banca dos CEOs das grandes corporações.
O episódio Mano Menezes dá a exata noção de que o futebol
não é para novatos. Contratado a peso de ouro (sim!), para conduzir o barco
flamenguista à águas seguras (durante um período de mares revoltos e poucos
investimentos), o laureado professor não hesitou diante do óbvio (para o qual,
aliás, deveria estar preparado): uma andorinha só não faz verão. E ainda que
tenha trazido parte do seu bando (de loucos ?) para o Rio de Janeiro, a máquina
não azeitou.
Demonstrando total indiferença à hierarquia, aos novos
métodos de gestão e ao acordo firmado em torno de uma transição de longo prazo,
não deixou sequer uma banana para os engravatados dirigentes de colarinho azul
bebê. No melhor estilo novas mídias, comunicou a saída por um prosaico SMS. E
ponto final...
É bom lembrar que Mano não é o primeiro gaúcho a abandonar o
barco flamenguista. Por razões e em contextos diferentes, o “gremista” da hora
deixou novamente com cara de tacho uma nação inteira. Saiu pela porta dos
fundos, cuspindo no prato em que comeu.
E ainda fazendo cara de bravo...
Se as antigas (ou nem tão antigas assim) gerações de dirigentes
cometeram vários equívocos a frente do vermelho e preto da Gávea, os atuais
executivos aprenderam pouco com o passado. Tratar o futebol como negócio exige
mais do que técnica. É preciso colocar a razão adiante do sentimento, mas sem
sufocá-lo.
E o Flamengo vem correndo o risco de perder a sua essência. A
contratação de um técnico top para um elenco desequilibrado foi um erro crasso.
Parecia tão evidente o desacerto, que é difícil acreditar que tenha prosperado.
Agora, sem tantas alternativas no mercado e diante de pressão máxima, pode ser
que dê certo com o Jaime, o que se tentou fazer com o Jorginho. É uma boa
aposta.
O que não se pode é tornar o ambiente da Gávea irrespirável. Mudar a cultura de uma organização, pelo menos das esportivas, exige tempo. Não se deve fazê-lo na base das diretrizes executivas frias e assépticas. Em seus piores momentos, o que manteve o rubro-negro pulsando foi justamente a força de seu espírito. A combinação improvável entre o calor das massas e a mística das tradições centenárias pode funcionar como ativo intangível valioso, que nenhum engomadinho, técnico ou não, saberá explorar usando régua e compasso....
sábado, 7 de setembro de 2013
Meio século depois.. (transcrição do artigo de Cristovam Buarque)
Não está distante o dia em que os brasileiros acreditarão que é preciso e é possível
ARTIGO - CRISTOVAM BUARQUE
Publicado:
A quase totalidade dos discursos de políticos é irrelevante. São logo esquecidos. Mas, nesta semana, comemora-se em todo o mundo os 50 anos do discurso do dr. Martin Luther King em que ele disse que tinha sonhos: de que seus quatro filhos não sofreriam preconceitos por causa da cor da pele; e de que os filhos dos ex-escravos e os filhos dos ex-donos de escravos seriam capazes de sentar juntos na mesma mesa, como irmãos.
Meio século depois, nós também temos sonhos.
Sonhamos que um dia nenhum dos filhos do Brasil será privado de uma educação de qualidade que lhes permita entender a lógica do mundo, deslumbrar-se com suas belezas, indignar-se com suas injustiças, falar e escrever seus idiomas, ter uma profissão que lhes permita usufruir e melhorar o mundo onde vivem.
Para isso, sonhamos fazer com que a mais pobre criança tenha, desde sua primeira infância, uma escola com a qualidade das melhores do mundo, que um dia os filhos dos trabalhadores estudarão nas escolas dos filhos de seus patrões, os filhos das favelas nas escolas dos filhos dos condomínios e em, consequência, o Brasil terá pontes no lugar de muros entre suas classes e seus espaços urbanos.
Sonhamos que não está distante o dia em que todos os brasileiros acreditarão que isso é preciso e é possível. Deixarão de considerar o sonho como um delírio de utopista ou demagogia de político. Olharão ao redor e verão que muitos outros países já fizeram esta revolução, que chegará tardia ao Brasil, como nos chegou tardiamente a libertação dos escravos. Lembrarão que até 1863, na terra do dr. King, e, por décadas mais no Brasil, a ideia de que os negros um dia seriam livres do cativeiro era vista como estupidez. E hoje o presidente da República deles é negro.
Sonhamos também que, acreditando nos seus sonhos, o Brasil se levantará para realizá-los. Porque o sonho não se realiza quando é solitário, nem tampouco quando os sonhadores continuam deitados em berço esplêndido. Só quando é de todos e todos se levantam é que ele começa a ser realidade.
Se nós acreditarmos, se nos levantarmos em sua defesa, será possível realizar o sonho de que no lugar de exclusão teremos unidade social, ao garantir que os filhos do Brasil estudarão em escolas com qualidade e com a mesma qualidade.
Sonhamos com cidades pacíficas; com economia eficiente, sustentável e distributiva; com serviços sociais funcionando; com a renda nacional bem distribuída. Sonhamos que o Brasil será celeiro não apenas de soja e ferro, mas também de conhecimento nas ciências, tecnologias e nas artes; que o Brasil será um país regido pela ética no comportamento dos políticos e nas prioridades da política. E sabemos que todos estes objetivos passam pela escola de qualidade e mesma qualidade para todos.
Sonhamos que o Brasil futuro será o Brasil de nossos sonhos.
Cristovam Buarque é senador (PDT-DF)
terça-feira, 3 de setembro de 2013
As novas táticas da gestão esportiva
Boa parte dos grandes clubes brasileiros, inclusive os cariocas, trava com a Receita uma batalha tão ou maus dura quanto a maratona do Brasileiro. Tentam equacionar as dívidas miionárias acumuladas por décadas de displicência fiscal. Para resolver problemas assim, que indicam ainda um fosso entre os discursos de profissionalização e práticas ainda amadoras, o professor de Markerting Esportivo da PUC-Rio Luiz Leo levanta a bola qualificação. Convidado do programa O Negócio é Esporte desta terça (3) –às 22h, na Bradesco Esportes (91,1 FM) –, o especialista explicará como a nova safra de gestores esportivos começam a dar cartão vermelho para barbeiragens administrativas que há muito tiram o sono de investidores e torcedores.
Leo acredita que a sonhada independência financeira de instituições esportivas, associadas não só ao futebol mas a outras modalidades, seja conquistada à medida que visões imediatistas e rotinas amadoras sejam substptuídas por planejamento a longo prazo e gestões psofissionais. Especializado na formação de talentos da área, o professor, que também leciona Mídias Digitais na PUC-Rio, vai esclarecer, no programa de hoje, as táticas para explorar melhor o potencial de marcas como Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco, e captar mais investimentos.
Duas deessas estratégias remetem, por exemplo, ao aperfeiçoamento do uso das redes sociais para cultivar fãs (o Barcelona, clube mais popular no Facebook, tem 44 milhões de seguidores) e à diversificação das receitas do marketing, ainda muito dependentes de verbas decorrentes de direitos de imagem (transmissão em TV) e de patrocínios em camisa.
Primeiro talk-show só sobre marketing esportivo no país, O Negócio é Esporte é apresentado pelos jornalistas Sérgio Carvalho, ex-gerente do Sistema Globo de Rádio, e Alexandre Carauta, ex-editor-executivo do Jornal do Brasil e professor da PUC-Rio. A cada semana, eles conversam com craques da área (executivos, gestores, publicitários, consultores, pesquisadores) sobre novidades, curiosidades e bastidores no campo dos negócios esportivos. O programa, uma parceria entre a StartCom Comunicação e o Grupo Bandeirantes, vai ao ar às terças-feiras, sempre às 22h.
Entrevista Bradesco Esportes FM
terça-feira, 3 de setembro de 2013
http://www.onegocioeesporte.com.br/2013/09/o-negocio-e-esporte-saude-financeira.html
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
Coisas do Botafogo
E Vitinho decidiu sair. Que lástima ! O jovem atacante
botafoguense, destaque da equipe e, para muitos, do próprio Campeonato
Brasileiro, até aqui, resolveu respirar os ares gélidos das estepes russas. Aparentemente,
uma decisão pensada e repensada. Sem volta.
O abalo foi inevitável ! A terra tremeu e o mar se abriu, nas entranhas da estrela solitária. A torcida não poderia mesmo, deixar barato, uma “solução” tão
cara. Afinal, o clube paga salários em dia. Não tem receitas bloqueadas. Tem
estádio próprio. E fatura adoidado.
Ora, façam-me o favor ! E antes que me xinguem: o Botafogo é,
de longe, no Rio de Janeiro, o clube de futebol melhor estruturado. Tem quadros
competentes, sistema de gestão moderno e uma visão arejada do esporte. Mas,
está muito longe de ser um modelo de excelência.
O episódio Vitinho encerra uma sucessão de equívocos que, em
um ambiente de profissionalismo, não são aceitáveis. Quando falta planejamento,
as organizações esportivas tornam-se empreendimentos extremamente vulneráveis,
em um mercado tão competitivo.
De promessas a realidade atletas são ativos valiosos (apesar
da crueza da expressão), que precisam ser melhor cuidados. Vitinho não é o
primeiro jogador a sair no meio da temporada, deixando sua equipe órfã de
talento. Mas, no Botafogo, já é o terceiro titular a pular do barco.
Tem alguma coisa errada aí. Não dá para jogar tudo na conta
do atleta ou de seus representantes. E muito menos atribuir aos infortúnios do
destino (ou do passado) as mazelas que se abatem sobre o presente alvinegro. Raios
caem mais de uma vez no mesmo lugar ?
Logicamente, o impacto financeiro causado pela interdição do
Engenhão é um golpe duro de suportar. Mas, é preciso lembrar que outras equipes
não têm estádios próprios e conseguem equilibrar seus orçamentos, minimizando a
ausência desta importante fonte de receitas.
O Botafogo fez uma aposta ousada em Seedorf. Os resultados
técnicos são indiscutíveis. Mas, comercialmente, a presença do astro holandês ainda
não parece ter sido capaz de alavancar as receitas de marketing pretendidas. O
clube detém a sexta maior cota de patrocínio master do futebol brasileiro (R$ 16 milhões/ano), mas diversifica pouco
suas ações em outras frentes.
Recebe, ainda, pelos direitos de transmissão na faixa dos R$
70 milhões, o que o coloca entre os 12 clubes do país que mais faturam com a cessão
das imagens de seus jogos, para a TV. Movimenta também outras fontes de
receitas marginais, que aproximam o clube de um faturamento na casa dos três
dígitos anuais. Algo em torno de R$ 8 milhões mensais.
O que os números não revelam é o enorme abismo entre o que
entra e o que sai. O endividamento público cresce sem parar (atualmente, na
ordem dos R$ 400 milhões) e muito pouco (ou nada) se faz a respeito. Gastar menos do que se recebe é uma conta que qualquer dona de casa sabe fazer. Dirigentes
esportivos parecem ainda estar no jardim de infância desta lição...
Reconhecer fraquezas e encontrar mecanismos que transformem ameaças
em oportunidades não é o forte dos clubes de futebol. Mais fácil é transformar
patrimônio de valor intangível em crédito oportunista e barato. E depois
colocar a conta no bolso de um garoto recém-saído do Complexo do Alemão, com
tudo a ganhar e nada a perder, numa aventura gelada, por paisagens distantes...
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Entrevista Isto é Dinheiro

ECONOMIA
ONLINE | FUTEBOL | 15.AGO.13 - 06:50
Um galês de 100 milhões de euros
A possível ida de Gareth Bale para o Real Madrid pode inaugurar a entrada das transferências do futebol na casa dos negócios de nove dígitos
Por André JANKAVSKI
Capital do País de Gales, nação anexada ao Reino Unido, Cardiff recebeu na última quarta-feira (14) o amistoso entre o país local e a vizinha Irlanda. No campo, as duas seleções não saíram do zero. As atenções do mundo do futebol, no entanto, se concentraram na estrela dos galeses, que acompanhou a partida das tribunas: Gareth Bale. O atleta de 24 anos que joga no inglês Tottenham Hotspur, desde 2007, é protagonista da possível maior transação de um jogador de futebol da história. Seu valor? O Real Madrid pode pagar cerca de 100 milhões de euros.

Gareth Bale, meio campo do Tottenham, está envolvido na que pode ser a maior transação do futebol
O recorde até agora pertence ao português e super estrela Cristiano Ronaldo. Em 2009, o mesmo time espanhol desembolsou 96 milhões de euros para contar com os serviços do seu atual camisa sete, então jogador do Manchester United. A estratégia deu resultado e Cristiano já marcou mais de duzentos gols com a camisa merengue, além de trazer números expressivos para o clube - só a sua apresentação oficial como jogador do Real atraiu mais de 85 mil pessoas. "É bom ressaltar que nem sempre é um investimento que terá um retorno positivo", diz Luiz Léo, professor de marketing esportivo da PUC-RJ. "O Kaká, por exemplo, custou 65 milhões de euros e até agora não engrenou no clube de Madrid."
O Real Madrid, responsável por três das cinco maiores transações da história do futebol, tem um lado bem peculiar: o clube não visa lucro. Juntamente com o seu arqui-rival Barcelona, o Athletic Bilbao e o Osasuna, a equipe merengue se encaixa no modelo associativo, pagando assim menos impostos ao governo espanhol.
Graças aos altos valores movimentados, principalmente pela equipe de Madrid e a catalã, a Comissão Europeia pressiona para que todos se tornem empresas e passem a ter mais responsabilidades com o fisco. A ação, entretanto, pode dar ainda mais força para o Barcelona e o Real, dois dos poucos clubes no mundo que possuem faturamento maior do que as dívidas. “Se optarem por um IPO, por exemplo, é possível que eles sejam ainda mais dominantes nas contratações”, afirma Amir Somoggi, especialista em gestão esportiva.

Das cinco transferências mais caras do esporte, o Real Madrid fez três: Cristiano Ronaldo, Zidane e Kaká
Além dos altos valores da negociação envolvendo Gareth Bale, chama a atenção o galês não ter conquistas individuais fora da Inglaterra. Apesar de ter sido considerado o melhor jogador de 2012 da liga inglesa pelos próprios jogadores das equipes participantes, o meio-campista não figurou sequer entre os 23 destaques do ano passado da Fifa. Cristiano Ronaldo, na época de sua transação, tinha sido eleito o melhor do mundo. "A pouca idade, a qualidade técnica e o potencial são fatos positivos e indiscutíveis, mas 100 milhões de euros é um exagero", afirma Léo.
A contratação de Bale, se concluída, pode inflacionar ainda mais as transações. A entrada de sheiks árabes e bilionários russos no futebol está transformando contratações caras em algo rotineiro: só de agosto do ano passado até agora, o brasileiro Hulk, o colombiano Radamel Falcão e o uruguaio Edinson Cavani se envolveram em transações acima de 60 milhões de euros. “Estamos passando por uma crise financeira, especialmente a Europa, e essa movimentação em algum momento se tornará insustentável”, diz Luiz Léo. “Isso não é saudável”, afirma Somoggi. “A UEFA (União das Federações Europeias de Futebol) está desesperada e correndo para tentar solucionar esse desequilíbrio absurdo.”
sexta-feira, 12 de julho de 2013
Faça seu marketing pessoal
CONTROLLER CORPORATIVO
Blog da Contabilidade e Controladoria
Um gênio sem marketing pessoal é um gênio desconhecido
Todo profissional precisa que seu valor seja reconhecido por seus líderes e pela empresa onde atua. Competências técnicas são fundamentais para alcançar o sucesso. Mas, e o marketing pessoal? Há muito tempo ele deixou de ser um culto ao ego, à vaidade. O marketing pessoal hoje é uma necessidade dentro das corporações, fundamental para que um profissional seja reconhecido e encontre novas oportunidades no mercado.
- Se você está começando uma carreira ou uma nova etapa da vida profissional, demonstre toda a sua disposição para aprender. Deixe sempre bem claro o quão é importante para você aprender com as pessoas, com as situações, encontros, viagens, reuniões. Seja participativa para ganhar visibilidade.- Descubra o ponto mais marcante de sua personalidade. Pode ser sua maneira de se comunicar, sua alegria, bom senso, visão. A partir daí, foque a “divulgação” desse seu ponto marcante, porque ele será um atributo desejado pelas equipes.
- Dress to impress: essa expressão do mercado corporativo americano significa: “vista-se para ser visto”. Faça isso sem exageros, sem extravagância, com discrição, mas desenvolvendo um estilo pessoal facilmente reconhecível. Estilo é tudo. Vista-se de maneira agradável.
- Mostre o seu lado “solucionador de problemas”. Sempre que você ajudar a resolver um problema, estará inserindo sua marca pessoal na rotina e lembrança das pessoas. Quando surgir uma dificuldade ou um problema, pergunte a si mesmo: “O que posso fazer por isso?”.
- Entregue sempre um resultado superior ao esperado, dedique-se a superar as expectativas das pessoas. Atenda às solicitações com qualidade ampliada.
- Improvise. Use a criatividade para, diante de poucos recursos, desenvolver a melhor solução possível. As pessoas mais bem colocadas no mundo dos negócios improvisaram muitas vezes.
- Dedique-se a formar diferentes redes de relacionamentos dentro e fora da empresa. Identifique quais são as áreas de interesse que aproximam você de outras pessoas: música, literatura, cinema, hobbies, esportes, competência técnica. Aproxime-se das pessoas, construa relacionamentos de longo prazo.
- Cultive ética e honestidade para preservar o seu maior patrimônio: a integridade. Não deixe que a falta de ética passe a fazer parte da marca pessoal.
- Vivemos em uma era de muita pressão e competitividade. Por isso, resistências física e mental são fundamentais. Cuide do corpo, da mente e do espírito para se manter sempre motivado, feliz, bem humorado. Paz, serenidade, estabilidade emocional devem fazer parte do marketing pessoal.
FONTE: CRC/SP
quarta-feira, 10 de julho de 2013
O bobo do octógono
E quem diria que o Pelé dos ringues levaria tamanha bola nas
costas ? Pois Anderson Silva levou. Um tremendo cruzado no queixo. Daqueles que
não tem mais volta. Acusou o golpe, revirou os olhinhos e entortou o pescoço.
Desabou, batendo a cabeça com força no tatame do octógono. Terminava ali a
longa saga do campeão. O outrora invencível lutador estava irremediavelmente
estendido no chão, agarrado às pernas do árbitro, como que tentando impedir o
inevitável. Nocaute clássico. No melhor estilo boxeur: beijando a lona...
Trágico, não fosse triste. O brasileiro inspirava uma legião
de amantes do esporte, que apresenta o crescimento mais vertiginoso do planeta.
O mito Spider encerrou sua sequência
de vitórias na defesa de cinturão aniquilado por um novato. O norte-americano Chris
Weidman quase não podia se conter. Expressava um misto de êxtase e surpresa com
seu feito. O garoto fez a sua parte, diante do veterano, que mais parecia
disposto ao show do que à luta. Provocou tanto, que dançou. Para valer. Sem
perdão. E de forma muito constrangedora.
Passado o calor do momento, cabe uma análise realista sobre
o futuro do ídolo. Para começar, as teorias conspiratórias que inundam as redes
sociais, tal como praga, não fazem qualquer sentido prático. Anderson perdeu praticamente
para si mesmo. E ponto. Já reconheceu que errou. A estratégia, bem sucedida em
outras ocasiões, não deu certo desta vez. Dentro do corner não dá para
arriscar. Ele arriscou. Diversas vezes ao longo da carreira. Uma hora poderia dar
errado. Deu. Vida que segue. Lessons
learned. E vamos ao que interessa.
Anderson vai voltar. Derrotará Weidman. Recuperará seu
cinturão. Esse roteiro é definitivo. Não tem teorias estapafúrdias que o
modifiquem. O problema é administrar o passivo da luta que passou. O maior
lutador de MMA de todos os tempos fez mal a sua própria imagem. Contaminou um
perfil limpo, de bom moço, de sujeito correto e respeitável. Atentou contra
aquilo que tinha de mais valioso. Afinal, não é nada fácil construir uma
identidade tão positiva, em uma modalidade esportiva carregada de preconceitos
e discriminação.
O “aranha” cercou-se
de atributos que vinham impulsionando uma carreira extremamente bem sucedida
–muito mais fora até, do que dentro dos ringues. Alcançou o patamar invejável de
idolatria, de referência. Daquele em que todos se inspiram em ser. Vendia
simpatia, vitalidade e confiança.
Bastaram alguns poucos minutos para subverter seus próprios valores. A
prepotência, o escárnio e o desrespeito soaram indisfarçáveis. O gentil
gigante, de voz afinada, atravessou o ritmo. Passou uma imagem de engodo para o
mundo.
Se não foi fácil chegar até onde chegou, mais difícil ainda
será sair de onde está. Não bastarão apenas seus punhos e o excelente jogo de pernas
para se livrar das críticas que o perseguirão, onde quer que vá. O fogo, nada
amigo, virá de suas próprias fileiras. Muitos de seus admiradores estão receosos
de seus próximos passos. Precisará trabalhar (e muito) quieto. Evitar a
superexposição, que a esta altura não acrescentará muita coisa. Deverá aprender
a lidar com os comentários desabonadores e depurá-los. Retomar suas origens. Livrar-se
dos bajuladores de ocasião. Enfim, Anderson terá uma dura missão pela frente.
No plano comercial, a recuperação da imagem do ídolo passa por
uma mudança de postura e de atitude que, de certa forma, já começou a ser
ensaiada logo após o combate. Saber perder é uma virtude sempre admirada –mesmo
para os superpoderosos. Assim, humildade combinada com certa dose de alto
estima torna-se um belo revigorante. Se nos bastidores do UFC o brasileiro nunca foi uma unanimidade,
em termos de simpatia, fora dele desfruta de um
prestigio inigualável com públicos diversificados. É para essa turma que deverá
dirigir seus esforços de reconstrução de sua identidade esportiva. Livre do
peso da invencibilidade, poderá alavancar outros valores igualmente admirados:
obstinação, superação e, quem sabe, (outra) volta por cima.
domingo, 7 de julho de 2013
Meditação ganha, enfim, aval científico
Terapia
Estudos sérios estão afastando as dúvidas que costumavam pairar sobre a prática e mostram que ela é extremamente eficaz no tratamento do stress e da insônia, pode diminuir o risco de sofrer ataque cardíaco e até melhorar a reação do organismo aos tratamentos contra o câncer
Tiago Cordeiro

Meditação: arma poderosa contra o stress ganha respaldo científico (Thinkstock)
A receita para lidar com dezenas de problemas de saúde é fechar os olhos, parar de pensar em si e se concentrar exclusivamente no presente. A ciência está descobrindo que os benefícios da meditação são muitos, e vão além do simples relaxamento. "As grandes religiões orientais já sabem disso há 2.500 anos. Mas só recentemente a medicina ocidental começou a se dedicar a entender o impacto que meditar provoca em todo o organismo. E os resultados são impressionantes", afirma Judson A. Brewer, professor de psiquiatria da Universidade Yale.
Iniciada na Índia e difundida em toda a Ásia, a prática começou a se popularizar no ocidente com o guru Maharishi Mahesh Yogi, que nos anos 1960 convenceu os Beatles a atravessar o planeta para aprender a meditar. Até a década passada, não contava com respaldo médico. Nos últimos anos, os pesquisadores ocidentais começaram a entender por que, afinal, meditar funciona tão bem, e para tantos problemas de saúde diferentes. "Com a ressonância magnética e a tomografia, percebemos que a meditação muda o funcionamento de algumas áreas do cérebro, e isso influencia o equilíbrio do organismo como um todo", diz o psicólogo Michael Posner, da Universidade de Oregon.
A meditação não se resume a apenas uma técnica: são várias, diferindo na duração e no método (em silêncio, entoando mantras etc.). Essas variações, no entanto, não influenciam no resultado final, pois o efeito produzido no cérebro é parecido. Na prática, aumenta a atividade do córtex cingulado anterior (área ligada à atenção e à concentração), do córtex pré-frontal (ligado à coordenação motora) e do hipocampo (que armazena a memória). Também estimula a amígdala, que regula as emoções e, quando acionada, acelera o funcionamento do hipotálamo, responsável pela sensação de relaxamento.
Não se trata de encarar a meditação como uma panaceia universal, os estudos mostram também que ela tem aplicações bem específicas. Mas, ao contrário de outras terapias alternativas que carecem de comprovação científica, a meditação ganha cada vez mais respaldo de pesquisas realizadas por grandes instituições.
Hoje, os estudos sobre os benefícios da meditação estão concentrados em seis áreas.
Os benefícios da meditação
- <
- 1
- 2
- 3
- 4
- 5
- 6
- >
1 de 6
Este efeito positivo não dura apenas enquanto a pessoa está meditando. Um estudo conduzido pelo Wake Forest Baptist Medical Center, na Carolina do Norte, colocou 15 voluntários para aprender a meditar em quatro aulas de 20 minutos cada. A atividade cerebral foi examinada antes e depois das sessões. Em todos os pesquisados, foi observada uma redução na atividade da amígdala, região do cérebro responsável por regular as emoções. E os níveis de ansiedade caíram 39%.
Para quem já está estressado, a meditação funciona como um remédio. Foi o que os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos descobriram ao analisar 28 enfermeiras do hospital da Universidade do Novo México, 22 delas com sintomas de stress pós-traumático. A metade que realizou duas sessões por semana de alongamento e meditação viram os níveis de cortisol baixar 67%. A outra metade continuou com os mesmos níveis.
Resultados parecidos foram observados entre refugiados do Congo, que tiveram que deixar suas terras para escapar da guerra. O grupo que meditou ao longo de um mês viu os sintomas de stress pós-traumático reduzir três vezes mais do que as pessoas que não meditaram – índices parecidos aos já observados entre veteranos americanos das guerras do Vietnã e do Iraque.
Redução do stress

Meditar é mais repousante do que dormir. Uma pessoa em estado de meditação consome seis vezes menos oxigênio do que quando está dormindo. Mas os efeitos para o cérebro vão mais longe: pessoas que meditam todos os dias há mais de dez anos têm uma diminuição na produção de adrenalina e cortisol, hormônios associados a distúrbios como ansiedade, déficit de atenção e hiperatividade e stress. E experimentam um aumento na produção de endorfinas, ligadas à sensação de felicidade. A mudança na produção de hormônios foi observada por pesquisadores do Davis Center for Mind and Brain da Universidade da Califórnia. Eles analisaram o nível de adrenalina, cortisol e endorfinas antes e depois de um grupo de voluntários meditar. E comprovaram que, quanto mais profundo o estado de relaxamento, menor a produção de hormônios do stress.
Este efeito positivo não dura apenas enquanto a pessoa está meditando. Um estudo conduzido pelo Wake Forest Baptist Medical Center, na Carolina do Norte, colocou 15 voluntários para aprender a meditar em quatro aulas de 20 minutos cada. A atividade cerebral foi examinada antes e depois das sessões. Em todos os pesquisados, foi observada uma redução na atividade da amígdala, região do cérebro responsável por regular as emoções. E os níveis de ansiedade caíram 39%.
Para quem já está estressado, a meditação funciona como um remédio. Foi o que os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos descobriram ao analisar 28 enfermeiras do hospital da Universidade do Novo México, 22 delas com sintomas de stress pós-traumático. A metade que realizou duas sessões por semana de alongamento e meditação viram os níveis de cortisol baixar 67%. A outra metade continuou com os mesmos níveis.
Resultados parecidos foram observados entre refugiados do Congo, que tiveram que deixar suas terras para escapar da guerra. O grupo que meditou ao longo de um mês viu os sintomas de stress pós-traumático reduzir três vezes mais do que as pessoas que não meditaram – índices parecidos aos já observados entre veteranos americanos das guerras do Vietnã e do Iraque.
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Entrevista: Revista Isto é Dinheiro
NEGÓCIOS
ONLINE | NEGÓCIOS | 05.JUL.13 - 17:05 | Atualizado em 07.07 - 16:40
E se Anderson Silva perder a luta?
O brasileiro disputa título e coloca sua aura de "imbatível" à prova contra lutador americano invicto. Se for derrotado, ele pode perder bem mais que o cinturão.
Por André JANKAVSKI
Neste sábado (6/7), em Las Vegas, Anderson Silva entrará no octógono contra o americano Chris Weidman para defender o cinturão de campeão dos médios do Ultimate Fighting Championship (UFC) pela décima vez. Sem ser derrotado desde 2006 e com uma sequência impressionante de 17 vitórias consecutivas, o brasileiro de 38 anos enfrentará um lutador quase dez anos mais jovem e invicto, apesar de possuir apenas nove lutas no MMA (Artes Marciais Mistas) profissional. Protagonista em diversas propagandas e destaque em programas de televisão e reportagens, o que pode acontecer com a carreira de Anderson se ele for derrotado?
Anderson Silva vai enfrentar um lutador quase dez anos mais jovem
Ao observar a carreira dos dois atletas, fica difícil imaginar que o brasileiro venha a perder, mas Dana White, presidente da organização, vem espalhando que a situação será bem diferente do esperado. “Todos os profissionais com quem eu falei e que nós entrevistamos acreditam na vitória de Weidman”, disse em coletiva de imprensa após o UFC 161, que aconteceu no dia 16 de junho. A ameaça pode ser apenas marketing, porém, aumentou a expectativa em torno do combate e deixou as bolsas de apostas não muito otimistas. Segundo o site MMAOddsBreakers, especialista em apostas esportivas, quem apostar US$ 100 na vitória de Weidman, embolsará US$ 205, quantia bem inferior a oferecida na luta com Stephan Bonnar, o último adversário do brasileiro. Na época, a cada US$ 100 apostados, teriam sido pagos US$ 1,3 mil se Bonnar tivesse saído vencedor.
Em recente levantamento da Nielsen Sport, empresa especializada em pesquisas relacionadas ao esporte, Anderson Silva aparece como o quinto atleta mais admirado do Brasil, atrás apenas das estrelas futebolísticas Neymar, Pelé e os dois Ronaldos. Um revés, no entanto, pode alterar essa percepção. "Como todo e qualquer atleta, Anderson também está atrelado aos resultados. Uma eventual derrota pode trazer um impacto negativo na sua imagem", afirma Otávio Carvalho, analista de mercado da Nielsen.

Patrocinado por oito marcas, entre elas Budweiser, Vivo e Nike, Anderson é garoto-propaganda de todas elas e possui grande apelo no mercado publicitário. “Além de imbatível, ele passa uma imagem de respeito, caráter e disciplina. Perdendo, acabará a aura de invencível, mas não significa que ele virará um fracasso comercialmente”, diz Luiz Léo, professor de marketing esportivo da PUC-Rio. Mesmo com contratos mais longos, perder o cinturão após sete anos pode prejudicar outras negociações. “Creio que nenhuma empresa patrocinadora deixaria de apoiá-lo, mas sem dúvida a conversa com novas interessadas e os valores se modificariam”, afirma.
Campeão de audiência
O crescimento do MMA no País é notável. Atualmente, de acordo com a Nielsen Sport, é o terceiro esporte mais visto na televisão pelos brasileiros, atrás apenas do futebol e vôlei. A queda do representante “imbatível” pode trazer alguns problemas para a luta, como o que ocorreu com o tênis após o declínio e aposentadoria de Gustavo Kuerten, ex-número um do ranking mundial . "O tênis já foi uma das preferências dos brasileiros, mas hoje está apenas na 11ª posição em audiência esportiva na televisão. De 2008, ano em que o Guga se aposentou, para cá, já perdeu quatro posições”, diz Carvalho. “Com o MMA acredito que será diferente, pois, além do Anderson, já existem outros destaques no País”.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
A Copa da superação
Sobre a contundente vitória da Seleção Brasileira na Copa
das Confederações, duas ou três coisas não podem deixar de ser ditas. Em
primeiríssimo lugar, a indiscutível supremacia da equipe de Luiz Felipe
Scolari, que aliou capacidade técnica, com superação e sorte, tudo em doses praticamente
iguais. O Brasil voltou a ser Brasil ? Longe disso. Mas a Seleção recuperou, ao
menos durante a competição, um espírito aguerrido, destemido e imponente, que
andava, há muito, adormecido. Jogou, como se diz nos pampas, com alegria nas
pernas e fogo nos pés.
Por outro lado, encontrou adversários em desalinho. Os
japoneses jogaram claramente de pijama. O fuso atrapalhou mais do que a bola,
eterna rival. O México, mal nas eliminatórias, não confirmou a fama de estraga
prazeres, sucumbindo as suas próprias mazelas. A Itália perdeu Pirlo e, com ele,
a essência de um novo estilo de jogar dos italianos, fugindo a tradicional
escola de marcação e defesa, que sempre os caracterizou. Baloteli tentou
compensar a lacuna deixada pelo camisa 10 da Azzurra, mas os ares do Senhor do
Bonfim não lhe trouxeram sorte. O Uruguai deu mais trabalho, em um dia que a
equipe canarinho não funcionou tão bem, diante da postura acuada do adversário
-que não saía para jogo, como noutras épocas mais saudosas e românticas do velho
clássico. Finalmente, a Espanha. Ah, a Espanha. Tão desejada, tão temida. Um verdadeiro
“choque de monstros”.
O jogo final não fez jus às expectativas criadas.
Logicamente, o Brasil cumpriu com sua parte. Mais até, do que se poderia imaginar.
A estratégia de pressão inicial, que funcionou em quase todos os jogos (com a fugaz
abertura do marcador, em poucos minutos de partida) deu resultado novamente. O “abafa
lá em cima”, na gíria dos boleiros, aturdiu os espanhóis, que demoraram a
encontrar seu verdadeiro ritmo de jogo. O relógio parecia acelerado. A feroz
marcação brasileira, caracterizada por muitas faltas durante toda a competição,
não dava tempo sequer para o “tac”. Mal iniciavam uma troca de bola, lá estava
um “marcador pentelho”, vestindo amarelo e tirando a paciência dos habilidosos “rojos”.
Para cada Iniesta, dois ou três Luiz Gustavos, Paulinhos, Hulks e, quem diria,
até uns tais Fred e Neymar.
O jogo do Brasil fluiu, enquanto o dos adversários emperrou.
Curioso é constatar a radical mudança de cenário. Menos de um mês antes, o
escrete brasileiro vinha de uma sequência de anos sem vencer um classicozinho
sequer. As indefinições, do gol ao
ataque, alimentavam as incertezas. Das dúvidas dos torcedores às críticas dos
especialistas, um abismo de problemas se avolumava dentro e fora dos gramados.
A mudança repentina no comando da direção técnica. As polêmicas das convocações
-e, como sempre, das não convocações. O atraso nas obras. As ironias da FIFA.
As ameaças. Poderes em conflito, soberania em desacato. Enredo tenso.
Personagens controversos. Nuvens cinzentas no horizonte verde amarelo.
Bastou a bola rolar para grande parte das dúvidas se
dissipar. A boa vitória sobre a França, no último amistoso preparatório,
ajudou. O “expresso” que atropelou o Oriente - no primeiro jogo oficial, com
vitória, depois de tanto tempo- aumentou ainda mais as expectativas. E o
crescente das atuações de grande parte da equipe, na sequência da competição -com
um único e aflitivo sobressalto diante do Uruguai-, renovou as esperanças. O
Brasil gigante despertou. A Copa do Mundo está logo ali, mas mostramos que temos
time para brigar !
E, se dentro do campo, o futebol deu resposta, fora dele, a
sociedade brasileira ainda aguarda, ansiosa, pelo desenrolar de uma partida que
está longe de terminar...
terça-feira, 18 de junho de 2013
O jogo agora é outro
Que orgulho destas novas gerações ! Ao mostrar
para o mundo, sem os velhos chavões, que somos muito mais do que um lugar de belas
praias, bundas desnudas, cerveja, carnaval e futebol (em que, aliás, já fomos
os tais) deixaram claro que não estão para brincadeira. E que se dane a Copa
das Confederações ! Da FIFA e não do Brasil, a propósito. O jogo da hora é
outro. Perfect timing. Nada mais
constrangedor para vetustos dirigentes (quando não de idade, de espírito) do
que as lições de cidadania deixada pelos mais jovens, pelas ruas do país.
Existem desvios ? É lógico. Em movimentos
espontâneos e descentralizados, não há como evitar os excessos e muito menos as
exceções. Pontos fora da curva existem de toda sorte, em qualquer contexto. Mas,
impressiona a capacidade das enormes multidões reunidas em não perder o foco da
sua verdadeira demanda: o clamor cívico, pacífico, democrático e legítimo por
mudanças. Sobretudo na lógica de representatividade institucional. O problema
vai além do local e ultrapassa as fronteiras de Estados, das mais variadas inclinações.
Chegou a vez do Brasil ? Tudo leva a crer
que sim. Uma espécie de sopro da esperança incontida, misturado com o destemor
típico da juventude parece conquistar, de pouco em pouco, os corações e mentes
de uma população inteira. Nem mesmo as tentativas de deslegitimar as ações, em
grande medida pelos atores políticos, acompanhados em uníssono por uma mídia
hegemônica, oportunista e sorrateira surtiram efeito. Para muitos, o sentimento
é o de um despertar de uma letargia dominante. Perceber que, ao redor, as
distensões sociais são por demais evidentes, para continuarem a ser ignoradas.
O mais fascinante de tudo é que não existem
lideranças aparentes. O movimento traduz um exercício político, mas apartidário.
Articulado nas redes, mas consumado nas ruas. Carente de uma bandeira definida,
porém, expressando insatisfações latentes. Processa-se à margem dos poderes
constituídos, no entanto -sem deixar de apontar para suas contradições-
reconhece sua legitimidade institucional e indispensabilidade. Tem mais corpo
do que voz, muito embora representados por massas disformes e palavras de ordem
potentes e articuladas. Comporta pouco ineditismo, mas ao mesmo tempo é
atualíssimo, já que sintonizado com as vanguardas mais atuantes de Nova York ao
Cairo. É singular, sem deixar de ser plural.
Não há dúvida de que estamos diante de momento
especial. Talvez, menos importante agora seja projetar para onde esta onda
poderá nos levar, enquanto nação. A marca indelével que deverá ficar, para as
novas gerações, é esta consciência cidadã, que nos energiza e impulsiona, por
revelar o quanto é possível fazermos, quando nos unimos verdadeiramente. O
caminho é longo e os obstáculos são inevitáveis. Por sorte, já ali, bem
pertinho, temos uma boa e oportuna “parada”para nos reencontrarmos: 2014, não o
ano da Copa, mas das eleições. Nas urnas, boto fé, nessa gente bronzeada (ou não),
mostrar seu valor...
segunda-feira, 27 de maio de 2013
O enigma da esfinge
Que Neymar é craque, não há dúvida. O problema é saber o quão
longe o menino da Vila poderá chegar no olimpo do esporte. Quatro anos após sua
arrebatadora aparição para o mundo da bola, o garoto franzino que encantava a
todos com seus dribles, gols e jogadas sensacionais transformou-se em homem (de
corpo e mente). E como adulto, tomou a decisão mais aguardada pelo futebol
brasileiro nos últimos anos: onde desfilará o seu majestoso futebol.
Decisão tomada, impõe-se, ato contínuo, nova pergunta: o
quanto isso irá afetá-lo, tecnicamente, dentro dos gramados ?
A opção pelo Barcelona não traz novidades. Insinuações sobre
a existência de um acordo prévio, costurado na ponte aérea Catalunha x Baixada
Santista, são recorrentes. Há meses. Já o impacto que a mudança trará para a
carreira do talentoso atacante continua dividindo opiniões. O coro dos que ansiavam
ver Neymar enfrentando os engenhosos esquemas táticos europeus e a força dos adversários
do velho continente venceu. Em parte, o jovem moicano rendeu-se as evidências do
declínio técnico dos gramados brasileiros, que já afetava seu vistoso futebol.
Na ótica dos otimistas, a península Ibérica oferecerá
horizontes mais promissores para a evolução do talento brasileiro. Colocará à
prova seu vasto repertório de jogadas, diante de sistemas de marcação mais
rígidos, movimentações táticas dinâmicas e jogo mais coletivo. Tudo aquilo que
já não se vê mais nos velhos estádios brazucas. O mergulho na cultura
futebolística dos centros europeus, em suma, lapidará a joia brasileira,
tornando-o um híbrido de talento criativo e disciplina tática, de que tanto
padecem nossos, outrora, craques nacionais.
O outro lado destas leituras não é tão animador. Defensores
da permanência do onze santista projetam um desafio maior do que os seus poucos
anos de vida seriam capazes de suportar. Estrela absoluta de um futebol carente de
referências, Neymar só não fazia chover (ainda que, ultimamente, mais fora do
que dentro dos gramados, é bem verdade). Gozando do status de tudo-pode, por
seus feitos nos campos de futebol, projetava-se em paralelo como celebridade
indiscutível do showbiz, alavancado por uma meteórica carreira comercial. Dono
da bola e da grana, era praticamente intocável. Dorival, ex-treinador do Santos
que o diga.
Na Espanha encontrará um clube grandioso, com elenco mais do
que estrelar. Será mais um na companhia e, naturalmente, sem a mesma projeção
técnica e comercial que o distinguia dos reles mortais, no Brasil. Conviverá,
enfim, em terra de gigantes. Precisará aprender a olhar sob nova perspectiva e
adaptar-se rapidamente a um mundo em outras dimensões. Tudo isso aumentado pelas
expectativas internacionais em relação a ser o mais novo astro brasileiro e do clamor cívico de
uma nação inteira, as vésperas de uma Copa do Mundo tão almejada.
Neymar não terá espaço para improviso. Precisará superar-se
rápido. Haverá de transitar de um futebol que perdeu o vigor para outro que se
encontra na plenitude de sua exuberância. Os sacrifícios serão inevitáveis. Encarar
a seriedade e o profissionalismo esportivo das terras de além mar implicará em
abrir mão daquilo que tanto seduz o supercraque brasileiro na sua vida fora dos
campos. Diante da Esfinge que o futuro lhe reserva, terá que decifrar os
enigmas do maior desafio na sua trajetória no esporte. Ou então, deixar-se
devorar. Quem sabe, por si mesmo ?
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Projeto de curso Esporte e Performance empreendedora
Elaboração do curso, em parceira com o Instituto Gênesis e PUC-Rio
http://aaapucrio.com.br/esporte-e-performance-empreendedora/
http://aaapucrio.com.br/esporte-e-performance-empreendedora/
Assinar:
Postagens (Atom)


.png)



