sexta-feira, 29 de abril de 2011

.:. TV PUC-Rio .:.

Entrevista concedida à TV PUC-Rio sobre os direitos de transmissão do campeonato brasileiro

Transmitir jogos de futebol pela televisão é um negócio milionário no Brasil e no exterior. Por aqui, o dinheiro das cotas de TV sustenta os clubes, muitas vezes, administrados de forma amadora. Mas esse poder da TV revela duas distorções do mercado: a submissão dos clubes às emissoras e a hegemonia de um grupo de comunicação que detém a exclusividade da transmissão. Quem perde mais é o telespectador, que não tem direito de escolher o jogo que quer ver na TV. A polêmica da negociação dos direitos de transmissão das temporadas 2012, 2013 e 2014 da série A do Brasileirão estão no Contraponto “Futebol e TV: tudo a ver?”, que tem a participação do jornalista Jorge Kajuru e do professor de marketing esportivo Luiz Léo.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Ronaldinho: craque ou pop star ?



Coluna Opinião

17/01/2011




Nas últimas semanas só se falou dele. Bem ou mal, Ronaldinho Gaúcho esteve no centro das atenções de uma arrastada e aflitiva peleja comercial. A disputa transcorreu freneticamente fora dos gramados, alimentada por ávidas bancas de investidores. Com o aval dos novos donos da bola (e dos cofres), uma trinca de clubes e seus dirigentes enfrentaram-se numa pelada de quinta categoria para ter o craque dentro das quatro linhas. Levou o rubro-negro da Gávea, que agora terá o privilégio de vê-lo desfilar suas cores pelos gramados do futebol brasileiro.

Mas, como esta conta será paga? Os valores não são conhecidos, mas as estimativas impressionam . Próximo a R$ 1 milhão de remuneração mensal, o jogador ocuparia um respeitável lugar no privilegiado clube de estrelas do futebol mundial, com um dos maiores contracheques do planeta. Nada mau para quem vinha perdendo espaço no outrora cobiçado futebol europeu. Gaúcho retorna ao Brasil com o status de grande ídolo e com a conta bancária tão recheada quanto nos seus tempos de Milan.




Os riscos existem e serão altos. Quando a bola começar a rolar, a pressão pelos resultados dentro de campo cobrará o preço pelas inevitáveis badalações fora dele

Para o Flamengo e seus parceiros, a aposta no astro segue uma fórmula já consagrada por algumas experiências de um passado não tão distante assim. A chegada de um "fora de série", capaz de multiplicar como Midas os valores investidos na sua contratação, deu certo com Romário, em 1995. Deu certo com Adriano, no ano passado. E vem dando certo com Ronaldo, nos dois últimos anos, no rival Corinthians. Apesar de contextos e personagens distintos, a receita é a mesma.

O mercado do esporte de alto rendimento esconde uma lógica difícil de ser reproduzida nos demais segmentos da atividade econômica. Movido pelo combustível da paixão, o futebol consegue girar as engrenagens de um poderoso dínamo financeiro, cujos limites são impossíveis de precisar. O torcedor, no papel de consumidor do produto do time de seu coração, não faz firula na hora de decidir . A camisa tem o nome do novo craque? Ele compra. A estrela vai estar no estádio? Ele paga para ver. Os ingressos se esgotaram? Os índices de audiência do rádio, da TV e, agora, da internet vão às alturas. E estas são apenas algumas das evidências mais óbvias do sucesso de um empreendimento do gênero: o craque vende produtos, lota estádios e cria uma legião de admiradores que irão acompanhar suas performances mídia afora. O sucesso é instantâneo, garantido e inevitável.

A pergunta é: até quando? Em um investimento de tão longo prazo, a preocupação dos operadores do negócio deve ser a de alongar ao máximo os bons ventos que cercam a euforia em torno da contratação de uma estrela de tal magnitude. Ronaldinho precisará corresponder dentro de campo, isto é certo. Mas, na batida do sentimento de uma nação inteira, existem pelo menos dois níveis de retorno a serem considerados: em um âmbito menos tangível, correspondente a valorização institucional da marca Flamengo, ocorre um impacto altamente positivo e no resgate de autoestima de seus aficcionados. Como decorrência disso, abre-se um segundo leque de opções para otimização dos ganhos, estes bem mais tangíveis, correspondente a ampliação e valorização das receitas comerciais que cercam o esporte.

É aí que Ronaldinho poderá fazer toda a diferença. O interesse em associar marcas, produtos e serviços ao jogador será uma tônica, justamente quando as atenções estarão todas voltadas para o país que se prepara para sediar a próxima edição da Copa do Mundo de Futebol em 2014. Não faltarão parceiros comerciais dispostos a pagar para fazer uso da imagem do atleta com a finalidade de vender produtos. Também crescerá a procura, acarretando um significativo aumento das formas de patrocínio ao clube. Atuando como relações públicas, Ronaldinho poderá ainda abrir portas para o Flamengo em todas as direções, atraindo desde convites para a participação do clube em eventos esportivos, até uma expressiva multiplicação do rol de produtos licenciados com a marca Flamengo, dentre inúmeras outras possibilidades.

Não tem segredo. O personagem em questão sintetiza como poucos a era do sportbusiness e conhece as regras de ouro que comandam o esporte espetáculo. Capaz de alimentar paixões e ódio, vislumbrou a próxima jogada com a premonição que só os verdadeiros craques possuem: entre a nostalgia de um passado gremista e os atrativos da capital financeira do país, preferiu o glamour dos palcos cariocas, onde a possibilidade de desfrutar a aura de celebridade, numa cidade que transpira boemia, não exclui o resgate do brilho perdido dentro dos gramados. Ronaldinho, assim como os outros R´s que o precederam, tem carisma e futebol de sobra para dar a volta por cima, ainda que cercado pelas tentações de um Rio de Janeiro sempre em temperatura máxima.

Evidentemente que, os riscos existem e serão altos. Quando a bola começar a rolar, a pressão pelos resultados dentro de campo cobrará o preço pelas inevitáveis badalações fora dele: a praia, o carnaval, as festas e toda a atmosfera de diversão que o Rio oferece, provavelmente não ficarão privadas de sua presença. Ronaldinho tem o DNA da alegria, que combina a música com a alma da cidade. Resta saber se o craque sucumbirá ao pop star. Se tiver um mínimo de bom senso, dosará o trabalho e a diversão. Se faltar-lhe o equilíbrio emocional para separar a entrega necessária de um atleta ao seu trabalho, em razão das possibilidades de lazer - compreensíveis e bem vindas para um jovem saudável e bem sucedido - Ronaldinho pode se tornar um vilão, jogando na lata do lixo todo o clamor popular que se forma pela sua presença na Copa de 2014.

A torcida do Flamengo confia entusiasticamente no renascimento do ídolo, agora travestido de pele rubro-negra. E o Brasil aguarda com expectativa a volta do bom e velho Ronaldinho, dos lances memoráveis e das conquistas marcantes. Seu retorno tem tudo para ser um divisor de águas do mercado de esporte brasileiro.
*Luiz Léo é professor de Marketing Esportivo

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2011/01/17/ronaldinho-craque-ou-pop-star-923518011.asp#ixzz1NyntGJus 
© 1996 - 2011. Todos os direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. 

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Entrevista Portal da PUC - 14/01/2011




Barcelona lembra importância da formação de talentos
Gustavo Rocha - Do Portal
14/01/2011

Mauro Pimentel
A premiação do melhor jogador do mundo, segunda-feira passada, na Suíça, representou mais do que o reconhecimento ao protagonista de 2010.  Descontada a pompa, a cerimônia também deixou uma mensagem redentora: vale a pena investir nas categorias de base e valorizar a qualidade técnica – prioridades que, a despeito da tradição verde-amarela, distanciaram-se do futebol brasileiro nos últimos anos. Os três candidatos ao prêmio – Xavi, Iniesta e o argentino Messi, vencedor pelo segundo ano seguido – foram formados no Barcelona. A equipe catalã também lançou oito atletas para a seleção espanhola, campeã da Copa da África do Sul. Sustentado numa gestão profissional, o modelo deve ser adotado efetivamente pelos clubes brasileiros, recomendam os especialistas. Só assim poderão retomar o caminho do equilíbrio financeiro e das conquistas à feição do autêntico futebol pentacampeão.
Atribuída por muitos a distorções legais e a relação nem sempre conveniente entre cartolas e empresários, a venda precoce de jovens talentos é uma das consequências de traços ainda amadores na administração dos clubes. Apesar dos discursos de profissionalização, o dinheiro obtido com as pratas da casa raramente convertem-se em lucro, em benefícios para o clube – como formador de mão de obra qualificada e como marca. A verba é usada, em grande parte das vezes, para cobrir buracos financeiros, dívidas, recisões contratuais e indenizações, legados de sucessivas falhas administrativas. Para o jornalista esportivo Carlos Eduardo Éboli, da CBN, falta aos dirigentes uma visão a longo prazo:
– O clube deve investir essa verba em estrutura, na construção de centros de treinamento, na medicina esportiva, ou seja, em tudo aquilo que envolve a base do futebol, que é a transformação do garoto num futuro atleta e até ídolo – sugere.
De acordo com especialistas em gestão, a vida financeira destas instituições e, consequentemente, a formação de craques estariam melhores se as fontes de receita fossem ampliadas; se o caixa não estivesse refém da venda precoce, e subaproveitada, de jogadores e das cotas referentes ao direito de transmissão das partidas na TV e no rádio. Patrocínios, licenciamentos e venda de camisas são, por exemplo, fontes a serem melhor exploradas.
– Se os clubes se estruturassem, se conseguissem capitalizar recursos a partir desses patrimônios, dependeriam menos da venda do jovem jogador. Assim, haveria muito mais torcedor no estádio, mais pessoas contratando os pacotes de transmissão por TV, mais vendas de camisa. A roda passaria a girar de uma maneira positiva e lucrativa – afirma Luiz Léo, professor de Marketing Esportivo da PUC-Rio.
Fernando Simone, gerente das categorias de base do atual campeão brasileiro, o Fluminense, reconhece a necessidade de avanços no aproveitamento de talentos e na composição da receita dos clubes:
– No Fluminense, a captação de recursos ficou a desejar. O marketing pode trabalhar melhor. Pode-se gerar outras fontes de receitas para não se depender tanto da venda de jogador.
 A nova lei extinguiu a condição de propriedade do jogador em relação ao clube. O atleta pode agora se transferir, desde que o valor de sua multa – previsto por contrato – seja pago à equipe de origem.Veja mais
Revigoradas as finanças, observam analistas, os clubes ficariam menos dependentes de empresários, que se fortaleceram na década de 1990 com a Lei Pelé (veja texto ao lado). Em parte dos casos, agentes assumem gastos ou dívidas dos clubes e, em contrapartida, ganham liberdade para negociar o jogador (nem sempre na melhor época para o clube) e ficam com percentuais superiores da receita proveniente da negociação.
– O que move o empresário é o dinheiro. Não há indignidade nisso. Ele está operando num mercado. O atleta é um ativo que, se estiver em alta, deve ser vendido. Não importa se a torcida vai ficar chateada. O problema é a ganância excessiva de alguns agentes – avalia Luiz Léo.
Resultado, entre outros fatores, dessa perda de autonomia dos clubes, o êxodo precoce das principais promessas prejudica o nível técnico das competições nacionais. Assim, a atratividade cai:
– Por isso, o Campeonato Brasileiro é difícil de ser vendido ao exterior. Os grandes nomes estão jogando na Europa. Acho que os dirigentes brasileiros demoraram muito para ter a noção do business que é o futebol – opina Carlos Eduardo Éboli.
Para evitar a perda desse patrimônio essencial – o jovem telento – Fernando recomenda investimento nas condições de trabalho e em planos de valorização profissional:
– O que se deve fazer é dar uma boa condição ao jogador, mostrar que ele está sendo muito bem cuidado, que está tendo tudo do bom e do melhor, e que pode perder tudo isso se sair do clube. Mostrar que é vantajoso ser mais fiel ao clube do que ao empresário.
Mauro Pimentel
 Mauro Pimentel

Na contramão da saída dos jovens, cresce a repatriação de grandes nomes. Por meio de parcerias com empresas privadas e altos investimentos, clubes contratam jogadores consagrados que deixam a Europa para encerrar a carreira no Brasil. O exemplo mais recente, e mais eloquente, foi a vinda de Ronaldinho Gaúcho para o Flamengo. Ele receberá mais de R$ 1 milhão por mês. O desembolso bem acima dos padrões nacionais pode dar um retorno financeiro superior:
– Um nome de impacto gera uma receita imediata na venda de produtos, na venda de ingressos, comercialização de jogos. É o que o clube precisa, uma vez que todos eles (os clubes) estão afundados em dívidas milionárias – argumenta Éboli.
Com mais ou menos ousadia, o salto dos clubes para um nível compatível com o prestígio e a tradição do futebol brasileiro passa pela profissionalização – de fato – da gestão esportiva:
– É preciso dedicação. Esse não é um processo que acontece de uma hora para a outra. As dívidas dos clubes são antigas, muito altas. Como você constrói uma continuidade no processo de saneamento das finanças? Com gestão profissional – afirma Luiz Léo.

Postagem completa

domingo, 2 de janeiro de 2011

Entrevista Portal da PUC - 02/01/2011




Um Campeonato Brasileiro com sotaque argentino
Bruno Alfano e Gustavo Rocha - Do Portal
03/12/2010


Arte: Stéphanie Saramago
No Brasileirão 2010, o país do futebol arte foi palco para os argentinos Conca, Montillo e D’Alessandro. Os craques do Fluminense, Cruzeiro e Internacional brilharam, transformando badalados nomes, como Ronaldo e Neymar, em figurantes do campeonato. Na segunda-feira (06/12), a CBF realizará a festa de entrega do prêmio dos melhores jogadores do ano e os três são favoritos à conquista.
No páreo, Conca se destacou no Fluminense, líder do campeonato, tanto pelos gols e passes decisivos quanto pela regularidade: é o único jogador de linha que participou de todos os jogos do campeonato. Montillo estreou pelo Cruzeiro na 22° rodada, quando o time ocupava a quinta colocação. A partir dessa partida, a equipe mineira cresceu e chegou a liderar o campeonato, no 29° jogo do campeonato, por duas rodadas. Já D’Alessandro viveu seu melhor momento no primeiro semestre do ano, na Taça Libertadores da América. O Internacional, com a participação decisiva do argentino, foi campeão do torneio sul-americano e conquistou a vaga para o mundial interclubes.
Para o comentarista do SporTV e autor do livro Os 11 maiores camisas 10 do futebol brasileiro, Marcelo Barreto (Foto), os três jogadores têm qualidades distintas, mas aquele que se aproxima mais do camisa 10 clássico é o cruzeirense Montillo.

 Photocamera 
 Photocamera 
– O D’Alessandro é muito habilidoso e sabe fazer bons lançamentos. Entretanto, para ele ser um 10 por excelência faltava finalizar melhor. O Conca funciona melhor um pouco mais recuado. Ele é um jogador que gosta de ver o jogo mais de trás, mas sabe chutar bem a gol e chega perto dos atacantes. Já o Montillo é o que mais se aproxima de um 10 clássico: tem habilidade, visão de jogo, encosta nos atacantes e busca os lados dos campos – observou o especialista.
O "camisa 10" clássico citado por Barreto nasceu quando os times passaram a jogar com dois, em vez de três, atacantes. A partir daí, o jogador da posição passou a ser o responsável por ligar o meio de campo ao ataque. Para realizar a função com competência, deve utilizar recursos técnicos como passe, finalização, lançamento que são aprendidos nas categorias de base. Esta, na visão dos especialistas, é a razão para o sumiço dos camisas 10 brasileiros. Segundo o comentarista André Kfouri, do canal ESPN, as categorias de base dos times pararam de se preocupar em produzir esse tipo de jogador, pois todas as jovens promessas habilidosas são transformadas em atacantes.
– A maior preocupação é encontrar volantes, jogadores de marcação. Muitos treinadores armam seus times com apenas um jogador de mais habilidade no meio de campo porque estão convictos de que a prioridade tem que ser marcar – afirmou Kfouri.
O comentarista Marcelo Barreto afirma que a formação de jovens jogadores é direcionada em função do mercado europeu. Isso explica a preocupação em revelar volantes e atacantes, em detrimento dos camisas 10 armadores.

Divulgação
 Divulgação
– As categorias de base não se preocupam em formar os camisas 10 brasileiros porque elas não atendem ao mercado brasileiro, mas sim ao europeu. E lá não tem muito essa figura do 10. Na Europa tem o atacante rápido aberto pela ponta e um monte de cabeça de área, volantes: o jogador forte que corre o campo todo, sabe marcar e consegue chegar no ataque.
Na opinião do colunista Fernando Calazans (Foto), do jornal O Globo, as categorias de base da Argentina não adotam uma postura similar por uma questão cultural.
– Como diria Nelson Rodrigues, nós brasileiros temos complexos de vira-lata e, por isso, copiamos os europeus, americanos e tudo o mais. Os argentinos são mais arraigados à sua cultura. Então, eles nunca desprezaram esses jogadores habilidosos. Pode ser pequenininho como o Conca, o D’alessandro, o Montillo, Maradona, Messi – observou Calazans.
Na opinião do comentarista Carlos Eduardo Éboli, da rádio CBN, é obrigação dos clubes procurar novos armadores.
– Cabe aos clubes gerar essa produção no meio de campo. O Brasil começou a mudar um pouco a cara quando conquistou o tetracampeonato, com o sistema defensivo muito sólido. Depois dessa Copa, o país passou a formar melhores zagueiros – opinou o comentarista.

Divulgação/Internacional  
 Divulgação/Internacional  
O horizonte sem camisas 10 brasileiros, entretanto, não é unanimidade. Luiz Mendes, o “palavra fácil” da CBN, é mais otimista.
– Por enquanto, os times vão procurar nos países vizinhos, mas o Brasil vai voltar a produzir os nossos. Já temos alguns. O [Paulo Henrique] Ganso do Santos é um jogador desse tipo: mescla um bom sentido de armação com um bom passe. E ainda há outros como o Douglas, do Grêmio, o Elias, do Corinthians. Os clubes estão procurando – prevê o comentarista.
Antes eternos rivais, agora os jogadores hermanos invadem a prancheta de escalação dos técnicos. Com um mercado forte, os clubes brasileiros passaram a tirar os jogadores dos países vizinhos. O fato do Brasileirão ter como destaque três argentinos não surpreende Marcelo Barreto:
– Isso já podia ter acontecido antes. O futebol brasileiro está impondo um certo poderio financeiro em relação à América do Sul – afirmou.
Segundo o comentarista argentino Manolo Epelbaum, do SporTV, o fato de o campeonato argentino ser transmitido no Brasil, por um canal especializado em esportes, foi importante para que o mercado argentino seja explorado pelos clubes brasileiros.

Stéphanie Saramago
 Stéphanie Saramago
– O público do Brasil passou a apreciar o futebol argentino porque entrou em contato com o campeonato de lá. Há cinco anos você não via ninguém nas ruas do Brasil com camisas de clubes argentinos. Hoje em dia, tem tantas pessoas usando esses produtos quanto argentinos com a camisa do Flamengo em Buenos Aires – afirmou Epelbaum.
O comentarista argentino não acredita que o Brasil deixou de produzir armadores. Na opinião dele, isso é uma fase:
– É um momento. Futebol é um esporte muito fugaz – disse.
Para os torcedores, a rivalidade é deixada de lado quando os jogadores estrangeiros se destacam dentro de campo. Professor de Marketing Esportivo da PUC-Rio, Luiz Léo explica que a nacionalidade dos jogadores não seria um empecilho em um eventual projeto de marketing com esses atletas.
– Os argentinos estão se destacando pela qualidade de jogo dentro de campo. Eu não vejo um esforço empresarial, do ponto de vista dos negócios, para projetar esses caras. Caso os clubes tentassem, dado o momento espetacular que ele vive tecnicamente, o consumidor não rejeitaria os produtos atrelados à imagem do Conca, por exemplo, pelo fato dele ser argentino – explicou o professor.
Além de pequena projeção midiática, o trio quase não aparece na Argentina e essa falta de visibilidade faz com que sejam esquecidos pela seleção nacional. D’Alessandro foi o único que já defendeu a Argentina, mas não é nome certo nas convocações. Segundo André Kfouri, pesa contra Conca e Montillo o fato de não terem construído uma história com a camisa de um time local.

Divulgação/Cruzeiro 
 Divulgação/Cruzeiro 
– Eu acho que essa é a principal questão. Enquanto o D’Alessandro já foi campeão da Argentina pelo River Plate, Conca e Montillo saíram do país cedo e começaram a despontar fora. Eles não têm um currículo que chame atenção no período em que eles jogaram na Argentina – afirmou Kfouri.
Na opinião do comentarista Carlos Eduardo Éboli, da rádio CBN, o fato dos jogadores não jogarem na Europa também contribui para diminuir as chances do trio.
– Eu acho que há uma discriminação, sim. A Argentina ainda olha muito para os jogadores que vão para a Europa. Historicamente, eles não valorizam os jogadores que vem atuar no Brasil – opinou Éboli.
Para Manolo Epelbaum falta apoio da mídia local para que Conca, o argentino do Fluminense, tivesse alguma oportunidade.
– O Conca vai ser chamado para a seleção. Fica tranquilo. Eu estou dando muito apoio jornalístico a ele nos principais jornais de lá. Não é possível que um povo pentacampeão consagre um argentino como o melhor jogador do Campeonato Brasileiro e os jornais da Argentina não dão uma linha – concluiu Epelbaum.

Postagem completa

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Entrevista Portal da PUC - 17/11/2010








Megaeventos esportivos serão desafios do governo Dilma
Isabela Campos e Mariano Carneiro - Do Portal
17/11/2010





O governo da presidente Dilma Rousseff terá que dar atenção redobrada ao esporte. Durante o governo Lula,
o Brasil conquistou o direito de sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Combinações como
esta só aconteceram, até agora, em outros dois países: o México sediou as Olimpíadas em 1968 e a Copa em
1970, e os Estados Unidos tiveram a Copa em 1994 e as Olimpíadas em 1996.

A força midiática desses torneios, no entanto, nunca teve tanto impacto. Hoje, o retorno comercial e estrutural é
muito grande, o que aumenta as responsabilidades do país realizador. Como o Brasil está em um período de forte
desenvolvimento econômico, o grande desafio do novo governo será a criação de oportunidades para que o
esporte brasileiro seja beneficiado por todas essas circunstâncias.

Caso não seja reeleita, Dilma não será a responsável direta pelas Olimpíadas de 2016, mas é imprescindível
que as preparações comecem desde já. Para Luiz Léo, professor do Departamento de Comunicação Social da
PUC-Rio e agente de jogadores de futebol, a importância de eventos como esses deve ser supra-partidária,
pois trata-se do interesse  de todos para o crescimento nacional.

– Esses eventos independem de que modelo partidário se compartilha.  Eles são do Estado e da sociedade
brasileira e é claro que todos vão querer fazer da melhor forma para promover o país. É fundamental saber
que foi feito um grande esforço para que esses acontecimentos pudessem ser sediados pelo nosso país,
e esta é uma forma de investir no esporte e na nação. O uso da verba para o esporte deve ser gerenciado
com competência e fiscalizado. O grande desafio do governo será aproveitar esse momento e conduzir o
Brasil a obter resultados maiores e melhores – afirmou Luiz Leo.

Para o professor, só o fato de estar mais perto das competições aguça a curiosidade e o interesse do povo por
modalidades diferentes, podendo surgir, assim, novos atletas e profissionais. A proximidade dos campeonatos vai
difundir o esporte no Brasil e ajudar a criar estruturas, tanto físicas quanto de treinamento para gerações futuras,
além de acelerar o processo de formação de atletas.

– O necessário para a formação e a captação de atletas já está sendo feito. Acredito que seja preciso estimular
a prática de esportes e, assim, vão surgindo atletas mais capacitados e bem preparados – opinou o professor.

O Brasil enfrentará desafios estruturais para a realização da Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. A criação
de arenas, as reformas nos estádios de futebol, a reorganização do transporte público, a preservação do meio
ambiente e o controle da violência nas cidades, principalmente no Rio de Janeiro, são os pontos mais importantes
nessa área. Somente para realizar as Olimpíadas, estima-se que os governos e a iniciativa privada tenham que
investir cerca de R$ 5 bilhões apenas em transporte público. A conta incluirá, também, a despoluição do complexo
lagunar da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, que, como nos Jogos Pan-Americanos, acolherá as competições.

Projetos de base para alavancar resultados no futuro

A jogadora de pólo aquático do Flamengo e da seleção brasileira
Carolina Mello, de 22 anos, afirma que houve mudanças com a
criação de novas leis de incentivo junto ao Bolsa-Atleta – programa
criado no governo FHC que visa auxiliar o custo de treinamento –,
mas que ainda não é o suficiente para um desenvolvimento ideal.

– Acho que, durante o governo Lula, já houve uma melhora na
questão dos incentivos aos atletas que fazem parte das seleções
das modalidades olímpicas, mas infelizmente os recursos ainda
não são suficientes em alguns casos. No pólo aquático, por exemplo,
muitos clubes têm dificuldade de manter suas equipes por longos
períodos. Deve-se pensar numa forma desse apoio chegar a
 mais atletas, alé dos já beneficiados – disse Carolina.

Carolina ainda reconhece a preocupação dos clubes em como usar o dinheiro para aprimorar os treinamentos.
É evidente a necessidade de um projeto que melhore a renda dos atletas em formação e crie alternativas
para que mais pessoas tenham esse auxílio e possam competir com os esportistas de outros países.

– O que temos hoje já é melhor do que nada. Com a mudança na lei, a partir do ano que vem, a verba que
recebemos para usar nos treinamentos e na preparação vai aumentar – concluiu a esportista.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Entrevista Portal da PUC - 28/06/2010



Seleção é imune à disputa entre Dunga e a imprensa
Bruno Alfano e Evandro Lima Rodrigues - Do Portal
28/06/2010

Photocamera
Reconhecido pela eficiência no desarme quando ajudou o Brasil a ganhar o tetra, em 1994, Dunga virou sinônimo de ataque. Dos habituais confrontos com a imprensa aos xingamentos à beira do campo que quase lhe renderam uma suspensão nesta Copa, o técnico acumula discussões no currículo dourado pela classificação confortável ao Mundial da África do Sul. O pragmatismo dos resultados asseguram-lhe imunidade. Ou será o comportamento do treinador uma ameaça à imagem e ao lucro da seleção brasileira? Para Luiz Léo, professor da PUC-Rio especialista em marketing esportivo, os negócios da seleção estão vacinados:
– Em poucos segmentos de negócios o Brasil comporta um empreendimento de tanto sucesso. Além dos dez parceiros comerciais que a CBF ostenta atualmente, remunerando seu principal produto (seleção brasileira), há uma fila de interessados, aguardando a oportunidade de entrar para este seleto "clube".
No marketing, as empresas procuram associar a sua imagem a valores simbolizados pelo "garoto-propaganda". Em um evento como da Copa do Mundo, porém, os contratados para os anúncios são escolhidos menos pela imagem que representam do que por sua visibilidade. Exatamente por isso, a bola da vez, segundo Luiz Léo, é o técnico Dunga. Já ao fim da Copa os anúncios protagonizados pelo técnico tendem a mingua – mesmo em caso de título:
– Não há dúvidas de que Dunga irá perder receitas de publicidade após a Copa, mas não por sua imagem propriamente dita, e sim pela própria sazonalidade do evento. Não acredito que ele [Dunga] faça um antimarketing. Agressividade também pode ser um dos valores explorados pelas marcas – argumenta Léo.
O antropólogo e professor da PUC-Rio Everardo Rocha, especialista em consumo, acredita que a "postura" do técnico pode levar à retranca do mercado publicitário:
– O Dunga fecha mercado para ele próprio. Ser mais generoso e polido poderia abri-lo.

Mauro Pimentel
 Mauro Pimentel
Para Everardo (foto), a falta de polidez nas declarações do comandante prejudica a imagem da seleção fora do país, mas é insuficente para atrapalhar a torcida pelo time. Vitória do pragmatismo.
– No plano internacional, a imagem do Brasil pode ficar manchada. Dentro do Brasil, eu acho muito difícil matar o amor dos brasileiros pelo time. Isso está fora de cogitação. O resultado é o negócio que mais pesa. Na medida em que os resultados forem positivos, os problemas tornam-se irrelevantes – avalia Everardo.
Para o professor de comportamento do consumidor Eduardo Ayrosa, da Fundação Getúlio Vargas, a imprensa tem sua cota na atitude agressiva do técnico:
– Para algumas pessoas, os jornalistas incomodam mesmo e a imprensa está agindo assim porque está sendo atacada. Se, por acaso, o Brasil continuar ganhando, o que vai se dizer?
Duelo com a imprensa
O desentendimento entre a imprensa e Dunga não é novidade. O desempenho da Copa de 90 – vencida pela Alemanha, na Itália – foi o pior desde 1966. Eliminada nas oitavas de finais, pela rival Argentina (1 a 0), o time comandado por Sebastião Lazaroni  e do qual Dunga era capitão foi criticado pelo futebol defensivo. A derrota marcou a geração apelidada pela imprensa de "era Dunga".
Quatro anos depois, sob os cuidados de Carlos Alberto Parreira, o Brasil escolhia de novo uma formação que privilegiava o jogo destrutivo para enfrentar os adversários. Entretanto, os gols da dupla Romário e Bebeto – e os poucos sofridos pela sólida defesa, três em todo o Mundial – levaram a equipe canarinho ao tetracampeonato e o capitão Dunga, à redenção.

Photocamera
 Photocamera
Em 1998, na França, Dunga despediu-se da selelção – como jogador. Ainda como capitão, exercia a liderança a qualquer custo: no segundo jogo da primeira fase, contra o Marrocos (3 a 0 para o Brasil), o capitão deu uma cabeçada em Bebeto após breve discussão. A dupla fez as pazes ao longo da partida e o episódio foi diluído pelas vitórias.
Everardo Rocha acredita que a forma como a imprensa tratou o então jogador desde o seu primeiro Mundial ainda o incomoda:
– Ele [Dunga] se sente muito perseguido desde sempre. Quando jogador, não foi bem tratado, bem acolhido, desde a era Dunga, sinônimo de futebol feio. Então ele reage enfaticamente, de uma maneira desnecessária – grosseira até. Isso vem de uma mistura de fatores: personalidade, posição que ocupa, pressão, medos.
O psicólogo Raphael Zaremba, professor de psicologia do esporte da PUC-Rio, também acredita que a razão das atitudes do técnico com a imprensa pode ser encontrada na história da vida dele. Ressalva que "essa postura serve para preservar o grupo":
– Dunga parece ter uma grande preocupação em defender e preservar o seu trabalho e o grupo que ele comanda, mas, para isto, acaba adotando uma postura considerada "agressiva" por muitos.
A pressão do cargo também é apontada pelo especialista como responsável pelo duelo com os jornalistas:
– Podemos tanto tentar encontrar respostas na história de vida dele quanto na pressão que qualquer pessoa que ocupa o lugar que ele está ocupando enfrentaria.
A Copa da deselegância
A Copa do Mundo de 2010 coleciona exemplos de técnicos pressionados perdendo a cabeça. A coletiva do eslovaco Vladimir Weiss – depois da derrota de 2 a 0 para o Paraguai, pela segunda rodada do Mundial, no dia 20 – durou apenas 40 segundos. “Os adversários foram melhores, o que é a resposta óbvia", foi a explicação para a derrota e única resposta do treinador, além de uma ameaça feita a um jornalista eslovaco. No dia seguinte, Weiss faltou a coletiva, por “não aceitar a maneira de tratamento da imprensa”. No dia 24, foi a público pedir desculpas:
– Peço que vocês me desculpem pelo que aconteceu no nosso relacionamento até agora. Eu faço futebol para quem gosta de futebol. Só que alguns de vocês (jornalistas) querem trazer tristeza para o nosso ambiente – afirmou.   
O técnico francês Raymond Domenech, depois da derrota para a África do Sul por 2 a 1, que confirmava a humilhante eliminação na primeira fase do Mundial, deixou de cumprimentar o treinador adversário, Carlos Alberto Parreira. Domenech deixou o brasileiro de mão estendida, num desfecho vergonhoso para a participação da França da Copa – com duas derrotas, um empate e incontáveis problemas de relacionamentos entre os jogadores e a comissão técnica.
– O fair play (a gentileza) não está sendo uma coisa muito presente nos técnicos nessa Copa – que são de fato muito pressionados. Deve ser complicado você ficar com 500, 600 jornalistas no seu pé o tempo inteiro – opina Everardo.

Postagem completa

quarta-feira, 2 de junho de 2010

III Seminário de Comunicação e esporte - PUC-Rio

Palestra sobre Publicidade e Marketing no Evento Esportivo






A PUC-Rio realizou o III Seminário de Comunicação e Esporte: a construção do Evento Esportivo, nos dias 1° e 02 de Junho. O segundo dia do evento teve como tema "O papel da Publicidae/Marketing na construção do Evento Esportivo". Os palestrantes convidados foram Rômulo Maia e Pedro Sampaio, estudantes de Publicidade da PUC-Rio, Édison Gastaldo, publicitário, antropólogo e professor adjunto no Departamento de Letras e Ciências Sociais da UFRRJ, e Gustavo Ferro, gerente Setorial de Publicidade e Promoções da Petrobrás.      

Os estudantes de Publicidade da PUC-Rio, Rômulo Maia e Pedro Sampaio, iniciaram o seminário. Rômulo ressaltou os aspectos do evento esportivo, como a identificação do consumidor com os atletas e  a singularidade de cada partida. "Nehum evento esportivo é igual ao outro", disse o estudante.

Pedro falou das formas que a publicidade explora esses eventos. Segundo ele, existem dois objetivos no patrocínio de eventos espotivos: agregar valor à marca ou obter visibilidade dos consumidores.
O seminário é organizado pelo professor Luiz Francisco Leo do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio.


Para assistir?

Parte I - http://puc-riodigital.com.puc-rio.br/Videoteca/Ciencias-Sociais/Comunicacao/Esporte-na-Midia-I-6937.html#.VPTE7XzF98E

Parte II - http://puc-riodigital.com.puc-rio.br/Videoteca/Ciencias-Sociais/Comunicacao/Esporte-na-Midia-II-6936.html#.VPTE3XzF98E

Parte III - http://puc-riodigital.com.puc-rio.br/Videoteca/Ciencias-Sociais/Comunicacao/Esporte-na-Midia-III-6938.html#.VPTEz3zF98E

Parte IV - http://puc-riodigital.com.puc-rio.br/Videoteca/Ciencias-Sociais/Comunicacao/Esporte-na-Midia-VI-6950.html#.VPTDq3zF98E

Parte V - http://puc-riodigital.com.puc-rio.br/Videoteca/Ciencias-Sociais/Comunicacao/Esporte-na-Midia-V-6949.html#.VPTEb3zF98E



quinta-feira, 11 de março de 2010

Rio 2016: o dever de casa para consumar o sonho


Bruna Santamarina, Carolina Frossard, Luigi Ferrarese e Yasmim Rosa - Do Portal
11/03/2010



Divulgação
– Temos um clima tropical. Devemos construir estruturas sustentáveis. Temos que pensar em pontos como direção do sol, arejamento, umidade. Devemos procurar tecnologias não convencionais e mudar a linha de pesquisas. Construímos nos baseando em materiais dos Estados Unidos e da Europa.
Um dos maiores desafios apontados por especialistas é a melhoria da infraestrutura. O sistema de transportes está entre as prioridades. Para torná-lo mais eficiente, não basta aumentar a malha rodoviária:
– Deve haver a expansão do metrô e a ligação da AP3 (que inclui áreas como Bonsucesso e Penha) ao resto da cidade. Pelo menos trazer melhorias nas condições de transporte para 40% da população. É preciso, portanto, mudar o eixo do transporte rodoviário para o de trilhos – afirma o economista Luis Martins de Mello, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Ele ressalta que a festa pela escolha deve ser acompanhada de um trabalho sério para corresponder à responsabilidade de acolher uma Olimpíada: 
– Temos a ideia mágica de que ganhamos e está tudo ótimo. Não é bem assim. É o início de um longo trabalho.
Lucas Landau
 Lucas Landau

A estrutura receptiva aos turistas também precisa ser ampliada. O ponto foi um dos que envolveram mais questionamentos do Comitê Olímpico Internacional (COI). O professor Eduardo Vilela, da Universidade Federal Fluminense, considera a oferta atual da cidade não apenas insuficiente, mas também de um baixo nível de qualidade:
– É preciso investir muito nessa área. O que pode ajudar é a vinda de transatlânticos para a cidade, o que gera mais turistas, e, o mais importante, não ocupa os quartos dos hotéis. Mas, para isso, o porto precisa ser modernizado. O projeto da rede hoteleira pode ser resolvido com investimento privado e a ampliação de créditos, principalmente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
A experiência das últimas edições de Jogos Olímpicos mostra que o nível de exigência é mais alto do que em outras competições esportivas. Sidney Garambone, editor executivo do Esporte Espetacular, cobriu a edição de Pequim, no ano passado, e ressalta a necessidade de se ter um plano de ação detalhado:
– Não é como assistir a um Fla-Flu no Maracanã. Tudo é muito bem feito. Na China, havia um sistema para se chegar ao local de competição, o lugar era reservado. É realmente coisa de primeiro mundo. Os Jogos Pan-Americanos são café-com-leite em comparação às Olimpíadas.
Sediar os Jogos Olímpicos abre perspectivas para um aporte de investimentos. O orçamento prevê o gasto de US$ 14,4 bilhões. A verba é mais do que o dobro da projetada por Tóquio e Madri. A candidatura de Chicago era a mais barata: US$ 4,8 bilhões.
O orçamento final para os Jogos Pan-Americanos, realizados no Rio de Janeiro em 2007, foi cerca de dez vezes maior do que o projetado. Luis Martins de Mello credita esse aumento a uma aposta em grande afluxo de capital privado, o que não se confirmou. Para as Olimpíadas, ele espera um final diferente:
– O erro não foi repetido. O orçamento desta vez leva em consideração um maior investimento público.
Uma das principais justificativas para a candidatura aos Jogos são os benefícios em infraestrutura pública e esportiva. Eduardo Vilela alerta para a necessidade de que o legado seja maior que o do Pan 2007. O planejamento não deve se centrar apenas na realização das competições.
– O pós-Olimpíadas também precisa ser pensado com relação à estruturação da cidade. Não adianta construir grandes espaços, que depois não serão usados em prol da sociedade. O país precisa de mais esportistas, não só jogadores de futebol – acredita.
Para a realização da Rio 2016, a cidade precisa investir na construção de instalações olímpicas. Segundo relatório do COI, das 34 estruturas que compõem o projeto brasileiro, apenas 18 já estão prontas para receber um evento dessa grandiosidade. Oito espaços precisam de reformas. Outros dezesseis serão construídos especialmente para abrigar a competição, sendo sete temporários.
As praças esportivas dos Jogos Pan-Americanos não foram preparadas para uma posterior campanha olímpica. O parque aquático Maria Lenk, por exemplo, construído para a competição de 2007, não tem dimensões adequadas para ser utilizado em 2016.
– Não houve legado do Pan. O controle da maior parte das estruturas passou para a iniciativa privada. As outras estão subutilizadas – critica Garambone.
Algo que pode atrapalhar o planejamento para os Jogos Olímpicos é a proximidade com a Copa do Mundo, que será realizada no Brasil em 2014. O professor Luiz Francisco Leo, do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio, tem ressalvas à atuação em duas frentes:
– A concomitância de dois eventos de grande porte atrapalha a alocação de recursos. São duas grandes marcas sobrepostas em um curto espaço de tempo e isso pode causar dificuldades logísticas. O ideal é que haja sinergia e que os dois eventos compartilhem parceiros, mas não sei se é isso que vai acontecer.
A edição dos Jogos Olímpicos de 2016 caracteriza-se pela proposta de amenizar o impacto ambiental. O slogan “Jogos verdes para um planeta azul” é ponto de partida para uma série de medidas. O projeto carioca prevê a recuperação do sistema lagunar da Barra da Tijuca e da Baía de Guanabara e a neutralização das emissões de carbono pelo plantio de 24 milhões de árvores, sendo 3 milhões só na Floresta da Tijuca. O plano de gestão de sustentabilidade prevê, ainda, a utilização ampla de fontes de energia renovável.
– Tempo e recurso existem, mas dependemos da seriedade do Comitê Olímpico. A sociedade também precisa mostrar que está atenta, que vai fiscalizar as obras de perto. Caso contrário, haverá corrupção. Temos exemplos do Pan e da Cidade da Música. As pessoas ficam inertes quando escândalos vêm à tona – aponta Fernando Walcacer, professor de Direito Ambiental e vice-diretor do Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente (NIMA) da PUC-Rio.
Luis Martins de Mello também demonstra preocupação com os gastos públicos e o respeito ao plano de metas imposto pelo COI. Segundo ele, cabe ao povo brasileiro exigir transparência:
– A sociedade civil deve fazer pressão para que o governo cumpra o projeto em prazo e orçamentos inicialmente estipulados.
São muitos os desafios, e de grandes proporções. A sete anos da primeira edição olímpica na América do Sul, o Brasil tem tempo para determinar que legado restará dos Jogos.
– Nossa maior preocupação agora deve ser escolher se vamos entrar para a história e olhar para trás com orgulho ou perder as prioridades sociais e passar vergonha – define Garambone.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

II Seminário de comunicação e esporte - A construção do ídolo esportivo

Seminário Comunicação e Esporte


A construção do Ídolo esportivo 

Dias 28 de outubro e 04 de novembro, das 09h às 12h, na PUC-Rio

O evento ocorrerá em duas quartas-feiras, nos dias 28/10 e 04/11, das 09h às 12h, na sala 102K no Edifício Kennedy da PUC-Rio. O seminário foca na questão do tratamento do ídolo esportivo no jornalismo, no dia 28, e da publicidade/marketing, no dia 04. No dia 28, o debate contará com a participação do ex-jogador e presidente do Vasco, Roberto Dinamite, e do jornalista do José Ilan. E no dia 4 Fernando Ávila, ex-jogador de vôlei e consultor de marketing esportivo, e Mariana Brochado, ex-nadadora e comentarista do sportv 

Fonte: Twitter Esporte na Mídia

Comunicação e Esporte

Na quarta-feira, 28, e na quarta-feira, 4 de novembro, das 9h às 12h, será realizado o II Seminário Comunicação e Esporte: A Construção do Ídolo Esportivo. Organizado pelo professor Luiz Léo, do Departamento de Comunicação, o seminário tem como objetivo refletir sobre o universo do ídolo esportivo a partir de suas relações com plataformas de mídias globais. No dia 28, o debate contará com Bruno Mattos e Thiago Lima, alunos de Comunicação Social, Roberto Dinamite, presidente do Vasco da Gama, e José Ilan, jornalista do Globo Esporte. O dia 4 terá a presença de Carlos Gustavo e Thiago Vieira, alunos de Comunicação Social, Jackie Silva, medalhista olímpica de beach volley e Fernando Ávila, superintendente de esportes olímpicos do Vasco. As inscrições devem ser feitas no local e no dia dos seminários.





Para assistir:

http://puc-riodigital.com.puc-rio.br/Videoteca/Ciencias-Sociais/Comunicacao/II-Seminario-de-Comunicacao-e-Esporte-5436.html#.VPTDRHzF98E

http://puc-riodigital.com.puc-rio.br/Videoteca/Ciencias-Sociais/Comunicacao/Esporte-na-Midia-5602.html#.VPTCqHzF98E